A minha primeira maratona

Nesta véspera de EPIC5 gostava de deixar aqui o relato das minhas primeiras provas mais sérias.

Porto, 2013
Um bom ano, um excelente ano para fazer a minha primeira maratona!

Assim, e depois de andar uns aninhos pelas corridas populares decidi experimentar uma meia maratona (2012). Gostei, fiquei fã e percebi que me dava bem com as longas distâncias. Era para estas distâncias que me iria preparar no futuro.

Assim decidi fazer a primeira maratona (42 kms) com 42 anos. (2013)

Pareceu-me bem, mas nem sequer é uma ideia original, conheço mais quem tenha tido este raciocínio, enfim… coisas a que nos agarramos para ganhar motivação para a preparação. Mas tudo vale a pena se nos ajudar.

Mais ainda, eu queria que em cada quilómetro fosse possível recordar  um episódio desse meu ano de vida, seria esse o meu exercício. Ahhh, e também queria fazer a prova em menos de 3horas e 30 minutos! A maratona escolhida foi a do Porto, decidi ir com um amigo que também ia com o mesmo objectivo de marca (3h30m).

Durante os primeiros kms nem me lembrei que tinha que pensar em acontecimentos da minha vida para cada km (mas também nós não nos lembramos de nada em bebé, né?). Depois do quilómetro 4 lá me fui lembrando de algumas coisas mas por volta do km 15 deixei-me disso e concentrei-me na corrida. Estava a começar a ficar difícil (o ritmo era puxado…). Esporadicamente lá passava por um marco de km e lembrava-me de qualquer coisa com aquela idade mas era quase sem querer.

A corrida estava a ficar cada vez mais dura, ainda bem que ia acompanhado pelo meu amigo Ângelo porque senão já há alguns quilómetros atrás que teria desacelerado.

Por volta do km 30 veio o celebre “muro” da maratona (para mim foi e continua a ser até hoje o “homem da marreta”) e as forças começaram a dizer “vai tu que eu fico aqui”.

Daqui até ao fim foi tudo feito à base de querer e orgulho, as pernas já não estavam lá, tem que ser a cabeça a correr. Já perto da meta (a pouco mais de um km) passou por nós o pacer das 3h30m. 

Ao perceber que eu ia ficar para trás veio gritar comigo e incentivar-me a correr forte mais um km para chegar à meta com ele antes das 3h30m.

Dei tudo, fui buscar força “até à pele nas solas dos pés”. Cheguei à meta a chorar baba e ranho (misto de alegria, dor, superação e realização). Abracei-me ao meu Amigo durante o que me pareceu uma eternidade. A carga emocional no fim de cada maratona é sempre algo de extraordinário (ainda hoje é!!).

Olhei para o relógio e tinha feito 3h30m e 2 segundos.

Dois segundos!!!! Perseguiram-me até que fiz a próxima e a próxima e a próxima e todas as maratonas que alguma vez farei na minha vida.

Dois segundos… benditos, malditos dois segundos. Que grande ensinamento foi esta maratona.

Mas ainda bem que assim foi a minha primeira maratona. Se tivesse sido fácil se calhar tinha perdido o interesse, não tinha tido o mesmo valor e eu já estaria noutra. Assim, esta distância agarrou-me para sempre.

Até hoje.

José Massuça.

Partilha

Um comentário

Os comentários estão fechados