EPIC5: a importância de levar pedais

Desde que percebemos que a bicicleta não chegou connosco ao EPIC5 e durante todo o tempo em que andámos a tentar resolver o seu “desaparecimento”, consegui transmitir à equipa e à direcção de prova, uma sensação de calma e serenidade a todos os níveis inesperada.

Algo que muito admirou todo o staff. Os outros atletas e as suas equipas (na verdade até a minha equipa estava espantada).
Mas em parte consegui manter esta calma porque tinha tomado as minhas precauções, tinha um truque na manga.

O que aconteceu foi que, quando fiz a mala com todo o equipamento para o ciclismo (incluindo peças e material suplente para a bicicleta), lembrei-me da hipótese de, nestas viagens longas e com muitas escalas, a bicicleta se poder separar de nós. Aliás, de acordo com as muitas histórias de outros triatletas viajantes, isso até acontece com demasiada frequência.

Assim, e porque pedalo com pedais e sapatos de encaixe, achei por bem levar comigo (em bagagem de mão) um jogo extra de pedais para os encaixes dos meus sapatos.

Se a minha bicicleta se extraviasse e me visse perante a necessidade de ter que utilizar uma bicicleta diferente da minha (alugada, emprestada ou comprada à pressa) poderia sempre utilizar os mesmos pedais e pedalar com os mesmos sapatos. O que é um conforto extraordinário.

É um enorme descanso psicológico sabermos que o equipamento em prova será aquele que testamos em treino e ao qual nos adaptamos durante os últimos meses de preparação. E perante a hipótese de não poder ter a minha bicicleta, garantia assim que pelo menos os sapatos seriam aqueles que os meus pés já reconhecem. E isso deu a o alívio mental suficiente para conseguir demonstrar uma calma pouco natural perante a hipótese de não ter a minha bicicleta a tempo.

No meio desta situação, ainda surgiu uma amiga Havaiana que, (apesar de ser da equipa de apoio a um outro atleta em prova) se prontificou para nos emprestar a sua bicicleta. Este é o espirito desta prova, não há adversários, há amigos.

Curiosamente a bicicleta era exactamente para o meu tamanho. Tinha o mesmo sistema electrónico de mudanças, as mesmas relações de potência e até era da marca da minha. Ahhh, e a mãe desta amiga Havaiana “por acaso” era Portuguesa! Por tudo isso, acreditem que eu não tinha tido qualquer problema em ter utilizado esta bicicleta emprestada. E era com certeza uma bicicleta que me iria dar muita satisfação levar até ao final do EPIC5.

Mas entretanto a minha surgiu e este primeiro desafio que o EPIC5 nos colocou estava ultrapassado.

Confirmei duas certezas que já tinha:

A sorte prepara-se!   E o sangue Português é muito forte.

José Massuça

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