A importância de uma equipa focada: EPIC5

Entre as muitas certezas e lições que trago do Desafio EPIC5 há uma que ultrapassa em muito a minha singularidade.

Refiro-me à vincada certeza de que teria sido impossível completar este desafio sozinho.
Por isso, hoje quero ter uma palavra para a equipa que me acompanhou.

 

Que me acompanhou não… que me levou até ao fim quase que literalmente ao colo e que sem dúvida tornou possível este desfecho.
Eles também fizeram esta história.

É incrível perceber agora, à distância de umas semanas, o processo incrível que foi o do crescimento desta equipa que me acompanhou.

É impressionante como um grupo de 5 pessoas, que praticamente não se conheciam nem nunca tinham interagido, se transformaram numa equipa de topo, resiliente, eficaz e focada no objectivo.

O trabalho diário necessário foi exigente. Tiveram muitas funções, muita responsabilidade em tarefas tão díspares como acompanhar e orientar o atleta na água, assegurar a rápida assistência mecânica à bicicleta, garantir o plano de nutrição, manter o atleta hidratado, fornecer as instruções e indicações do percurso na bicicleta e nas maratonas e se necessário ajudar na manutenção do ritmo planeado para cada maratona.

Para além do apoio directo ao atleta tinham ainda responsabilidades logísticas muito importantes. Entre outras tarefas “menores” tinham, diariamente, que garantir que todas as bagagens seguiam de ilha para ilha (incluindo a bicicleta), que tínhamos viatura em cada um dos destinos, que fazíamos as ligações dos aeroportos para os hotéis com a menor perda de tempo possível, e ainda tiveram que realizar todas as indispensáveis compras diárias de comida e de bebidas para todos.

A carga sobre a minha equipa era enorme e a ansiedade e erros iniciais terão sido certamente resultado da sua percepção da dimensão daquilo em que estavam envolvidos (parecia tudo tão mais fácil quando falávamos em Lisboa…).

Sim houve erros e a verdade é que não começámos da melhor forma…
Só no primeiro dia de prova conseguiram atropelar-me com uma prancha de paddle no percurso de natação. No ciclismo falharam na quantidade de calorias que necessitava ingerir e não chegaram a tempo de me informar numa das viragens da maratona (o que me fez correr mais 2.5kms do que o previsto).

Pois, todos os indicadores no final desse primeiro dia diziam que isto tinha tudo para correr mal. E que, provavelmente, alguém se iria magoar (Eu!!!).

Mas aquilo que nos primeiros dias foram erros provocados por desconcentração, falta de experiência e acredito que deslumbramento, foram, com o passar dos dias, dando lugar a decisões ponderadas, boas soluções e  iniciativas eficazes.
Inclusive substituindo-se e complementando-se uns aos outros nas suas valências. Souberam aprender e assim crescer.

A sua evolução foi de tal forma que ao fim de cinco dias de prova eram uma extraordinária máquina de assistência. Com a experiência dos dias melhoraram imenso em competência, percepção e foco, fizeram-se uma verdadeira equipa.

Uma equipa que também pela sua focadíssima atitude, no último dia do EPIC5 funcionou na perfeição, tudo fazendo para garantir que o seu atleta cumpria o objectivo de chegar ao fim. Um objectivo que era de todos. Que orgulho!

E mais incrível ainda é se pensarmos que cresceram assim enquanto andavam “fechados” numa carrinha de pouco mais de 12 metros cúbicos, durante mais de 15 horas por dia, com sonos atrasados e noites mal dormidas, sem liberdade para pararem quando quisessem e a terem que observar as exigências do atleta antes das suas próprias, durante cinco dias!

Por tudo isso, este processo de “crescimento”, esta prova de resiliência e de capacidade de aprendizagem por parte deste grupo de 5 pessoas tem ainda mais valor.

Conseguiram não se zangar entre eles, mantiveram sempre a boa disposição, ajudaram o seu e outros atletas e equipas e transmitiram a todos uma extraordinária imagem de capacidade de superação, espírito de sacrifício, humildade, disponibilidade e maturidade. Que orgulho!!!

E ainda me perguntam onde é que eu encontrava a energia diariamente?! Também bebia da deles!

Eu não os podia defraudar. Eu queria ser como eles… queria ser da equipa deles. E por isso foi condição “sine qua non” que em cada uma das cinco metas eles estivessem a meu lado com a Bandeira Portuguesa ao alto.

Parabéns pelo exemplo e obrigado por me terem levado até ao fim.

José Massuça

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