O meu primeiro Ironman Lanzarote

No EPIC5 fiz 5 Ironmans seguidos, mas hoje conto-vos como foi o primeiro.

Depois de ter feito a meia distância do Ironman em Lanzarote 70.3 (1900mts a nadar, 90kms a pedalar e meia-maratona a correr – 21Kms) em 2013, sabia que a prova longa nessa mesma ilha  já estava alinhada para ser a próxima etapa nesta natural evolução: 3.8kms de natação, 180kms de ciclismo e uma maratona a correr (42.2kms).

A razão de ser desta escolha para primeiro Ironman foi simplesmente porque quis começar por fazer aquele que é considerado o mais difícil Ironman do mundo. O Ironman em Lanzarote, 2014.

Conhecido pela sua exigência na componente de ciclismo, no que diz respeito a altitude acumulada, este Ironman é uma prova já mítica no circuito mundial.
Sendo que à dificuldade altimetria que nos é apresentada pelo percurso, temos o vento sempre como companhia, e a dureza na corrida é ainda aumentada pelo muito calor e humidade típica das ilhas.

A minha abordagem foi simples: “Se conseguisse concluir este estaria capaz de concluir qualquer outro.”

Não interessava o tempo, queria apenas chegar ao fim. Tinha que chegar ao fim.
Foi uma prova cheia de intensas emoções, do início ao até bem depois da linha de meta.

Nem por um momento deu para desligar da enorme carga emotiva que é estar dentro de um evento desta dimensão e ainda por cima sendo a minha primeira experiência na luta com este “gigante” da provação humana que é o Ironman de Lanzarote.

E para agravar toda esta carga de emoções estava pela primeira vez em prova sem a minha família… Faltava o melhor de mim. Mas por eles, também por eles, tinha que vencer o desafio.

Tive muitos altos e baixos durante a prova (psicológicos e físicos), mas conseguia sempre ver nos outros atletas razões para continuar a lutar.

Vi homens crescidos a chorar em plena prova enquanto desmontavam da bicicleta e caminhavam ao lado dela em vez de a pedalar, vi desmaios em prova, vi atletas a desistir com a meta à vista, vi outros a pedir ajuda para terminar… mas todos tinham um brilho especial quando chegavam ao fim, eram enormes, quase gigantes. E quase todos ficávamos ali, logo depois da meta, a olhar, simplesmente a olhar enquanto gritavam nos altifalantes “You are an Ironman!”.
E então passados esses instantes de simples pasmo abraçavamo-nos, pulavamos e gritávamos nós também “I am na Ironman”. É uma sensação completamente indescritivel

Enquanto estive perto da linha de meta não vi um, um que fosse, que não estivesse profundamente emocionado, a transbordar de alegria e realização pessoal. E eu fui um deles. Não conseguia parar de tremer, nem conseguia parar de chorar!

Nós podemos aprender sempre muito com tudo o que fazemos (bem e mal) e nesta prova aprendi muitíssimo… Foram 13h e 42minutos sempre a aprender.

Um dos episódios que guardo até hoje e por certo me seguirá para sempre aconteceu numa das principais subidas deste brutal percurso de bicicleta.

Alcancei um atleta que pedalava com uma prótese no lugar da perna esquerda, e perguntei-lhe: “Como estás?” (pergunta estúpida, pois estávamos todos desgraçados…e ele devia estar ainda pior!) a resposta ainda hoje ecoa em mim durante as provas longas “Pues, sigo luchando!”, piscou-me o olho e fez-me sinal para que seguisse em frente e não me preocupasse com ele. Esse é o espirito de um Campeão.

Não interessa com que dificuldades ou handicaps, “sigue luchando” e chegarás ao teu objectivo.

Nunca desistas, nunca. Até hoje ecoa em mim!

José Massuça

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