Preparação

O mais importante é abordarmos as provas sempre como uma festa, o culminar de um ciclo de esforço e trabalho, um acontecimento feliz e potencialmente de máxima realização pessoal. As provas são para nos divertirmos. Temos que conseguir chegar à meta com um sorriso nos lábios e com energia suficiente para levantarmos os braços e festejar com todos os que estão à nossa espera para celebrar connosco termos vencido, ter chegado ao fim!

Para enfrentar as dificuldades que estas provas têm tento focar-me nos ensinamentos e experiências aprendidas nas vivências e práticas diárias. A resiliência e a capacidade de superação são algo que se aprende e se treina.

E eu tive a sorte de viver experiências extraordinárias de superação ao longo dos meus 46 anos e de ter conseguido aprender muito com elas. Mas normalmente não vieram ter comigo tive que as procurar, saindo muitas vezes da minha zona de conforto. E foi também essa busca permanente de novas experiências e a ultrapassagem dos diferentes desafios que se me plantearam o que de alguma forma me foi moldando psicologicamente para fazer frente a estes desafios de ultra-endurance.

Hoje é tudo uma questão de escalas transpostas para o desporto, mas é principalmente uma questão de coragem, espirito de sacrifício, foco e respeito pelo corpo.

É importantíssimo “ouvirmos” todos os sinais que o corpo nos dá e respeitá-los.

A minha vitória é chegar ao fim pronto para mais uma. Por isso abrando quando tenho que abrandar, bebo quando tenho sede, como sempre que necessário e acelero quando possível. E pelo meio vou sorrindo, acenando para as câmaras dos fotógrafos e vou desfrutando da experiência de conquista pessoal que estou a viver.

E quando a minha resiliência só não chega, tenho na cabeça as palavras de ânimo, as mensagens de motivação e a permanente força daqueles que desde o primeiro minuto acreditaram que é possível e que não abdicam de estar comigo e de trazer outros para o grupo.

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